segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Resumo Filosofia 3º médio ETIP (3º trim)

Aula 1. O Criticismo de Immanuel Kant (Alemanha, 1724 – 1804)

• Nasce e vive a vida inteira em Konigsberg, professor universitário de Lógica e de metafísica, não se casou nem teve filhos, era um homem extremamente metódico, um cérebro que passou a vida investigando o universo espiritual do homem, à procura de seus fundamentos últimos, necessários e universais.

Principais obras: Prolegômenos a toda metafísica futura, Fundamentação da metafísica dos costumes, Crítica da razão pura, Crítica da razão prática, A religião dentro dos limites da razão,…

• Com sua postura crítica Kant faz uma verdadeira Revolução copernicana em filosofia, invertendo o sentido da pesquisa filosófica, o objetivo da filosofia passa a ser investigar a Razão humana, seus limites e possibilidades, buscando responder a questão: Até onde posso ir com a razão sem a experiência sensível? (a razão pura).

• Algumas de suas principais ideias:

o Não conhecemos a realidade fora de nossa mente ( a coisa-em-si), só conhecemos os fenômenos, ou seja as coisas para nós. Pois todo conhecimento começa com a sensibilidade, passando pelo “filtro” da razão humana.
o Tempo e espaço são as formas puras da sensibilidade, ou seja, são ferramentas mentais que existem sem a interferência dos sentidos. A intuição de tempo e espaço se dá a priori, antes da experiência sensível.
o Existem várias categorias do pensamento: causalidade, contradição, identidade, qualidade, quantidade, finalidade,… 
Juízos analíticos – São juízos que extraem algo já pertencente à ideia. Por exemplo, quando falamos de “triângulo”, já está implícito que é uma figura de três lados.
Juízos sintéticos – São juízos que acrescentam algo novo à ideia. Por exemplo, quando falamos do “livro do Elio”, o fato de pertencer ao Elio não é deduzido da palavra livro, é uma informação nova. Podem ser “a posteriori”, depois da experiência sensível, ou “a priori”, antes da experiência sensível.

o Só é possível fazer ciência com “Juízos sintéticos a priori”, ou seja, juízos que acrescentam algo à ideia inicial antes da experiência sensível.

Aula 2. A Fenomenologia.

• Corrente de pensamento que surgiu no início do século XX, propõe o estudo dos fenômenos da consciência     ( percepção, imaginação, memória,…)

• A realidade é apenas um dos modos como o objeto pode ser um dado à consciência . ( pode ser percebido, pensado, simbolizado, amado,…).

• A fenomenologia faz a análise da consciência na sua Intencionalidade, ou seja, consciência é sempre consciência DE… algo ou alguém. Nunca somos neutros, ao conhecermos algo, nosso ato de conhecer já está carregado de intenções (percepção, imaginação, memória, afeto,…).

• Principal nome: Edmund Husserl (Judeu tcheco, 1859 – 1938), Matemático e filósofo.

o Obras: Filosofia da aritmética, Investigações lógicas, Fenomenologia pura,… 
o Propõe a epoché, ou seja, a suspensão do juízo sobre a realidade, buscando eliminar a intenção ou interesse, tornando o conhecimento puro, tornamo-nos expectadores desinteressados do real.

A realidade é o conjunto de fenômenos, fatos determinados pela consciência do sujeito, ou seja, nós construímos a realidade em nossa mente.

Aula 3. O Existencialismo.

• Corrente filosófica surgida na Europa durante a segunda guerra mundial, tem por objetivo estudar a existência humana, o modo de ser do homem no mundo, questionar o valor da vida e da dignidade. 

• Nomes:
o S. Kierkegaard (Dinamarca, 1813 – 1855): “O conceito de angústia.”
o M. Heidegger (Alemanha, 1889 – 1976): “Ser e tempo”.
o M. Merleau-Ponty (França, 1908 – 1961): “Fenomenologia da percepção”.
o J. Paul Sartre (França, 1905 – 1980): ‘ O ser e o nada”.

• A relação apontada do existencialismo com a fenomenologia diz respeito ao modo de ser no mundo,. Que é repleto de intencionalidade.

• Principais ideias:
o O ser humano é finito.
o A vida humana é sempre problemática.(incerteza quanto às possibilidades).
o Realce aos aspectos negativos e destrutivos das possibilidades existenciais dos homens no mundo. (morte, doença, sofrimento, fracasso, loucura,…)

• Jean-Paul Sartre ( França, 1905 – 1980) 

• Destaca a necessidade do ser humano de buscar um sentido para a própria existência.

• Nas coisas, a essência (ideia que explica) precede a existência. (Alguém pensou, teve a ideia de criar algo, só depois o objeto passa a existir).

Nas pessoas a existência precede a essência. ( os homens existem, estão aí, para depois construirem sua essência, seu projeto existencial).

O ser humano está condenado a ser livre. ( o exercício da liberdade gera uma angústia da existência, devido a responsabilidade das pessoas sobre a própria vida, e a incapacidade de escolher certo dentre as várias possibilidades). 

Aula 4. A psicanálise de Freud. (I)

Psicologia – Ciência que trata da personalidade, dos fenômenos psíquicos e do comportamento, ou seja, procura saber o que somos e por que agimos.

Psicanálise – Método de tratamento das desordens mentais e emocionais que constituem a estrutura das neuroses e psicoses por meio de uma investigação psicológica profunda dos processos mentais. Foi criada por Sigmund Freud.

• Segundo Freud, o comportamento humano é motivado, muitas vezes, por motivos ocultos no inconsciente, a maioria das perturbações do comportamento se deve aos recalques da sexualidade reprimida desde a primeira infância.

• Sigmund Freud (Áustria, 1856 – 1939)

• Médico austríaco, neuro-fisiólogo, psiquiatra, clinicava em Viena, começou tratando distúrbios nervosos com a sugestão hipnótica.

Principais obras: “A interpretação dos sonhos”(1900),"teoria da sexualidade"(1905), “ O ego e o id” (1923),...

• Primeira teoria sobre a estrutura psíquica:

Consciente – Conjunto de processos e fatos psíquicos de que temos consciência, ou seja, conhecimento imediato da sua própria atividade.

Subconsciente – Conjunto de processos e fatos psíquicos que estão latentes no indivíduo, mas lhe influenciam a conduta, podem facilmente aflorar à consciência através da memória ou do desejo.

Inconsciente – Conjunto de processos e fatos psíquicos que atuam sobre a conduta do indivíduo, mas escapam ao âmbito da consciência e não podem ser trazidos nem pela vontade, nem pela memória, surgindo, porém, nos sonhos e nos estados neuróticos.


Aula 5. A psicanálise de Freud. (II): a Estrutura da consciência.

• A consciência é a parte clara e lúcida de cada um de nós, segundo Freud possui três partes:
• ID ou inconsciente:
* Instintos, necessidades e impulsos básicos. 
* É uma força que está fora do controle da vontade.
* É a parte mais antiga e mais profunda da consciência.
* Funções: Fazer agir os instintos e armazenar vivências reprimidas.
* É regido pelo princípio do prazer.

• Superego:
* Princípios morais, proibições, censura internalizadas.
* É a personalidade guiada por normas, leis e exigências.
* Tem como modelos os pais e a sociedade.
* Função: Reprimir os impulsos instintivos.
* É movido pelo princípio da moralidade. 

• Ego:
* O consciente, a personalidade.
* Quem sou e o que faço no presente.
* Função: Ajustar o sujeito ao meio físico e social, preservando o ser.
* É movido pelo princípio da realidade.


• Do conflito constante ente o ID e o Superego surge o Ego, ou seja, a natureza humana é conflituosa, existe uma tensão constante entre os desejos individuais e as normas sociais.


Aula 6. Motivo, força que impulsiona os comportamentos.

• Todo comportamento tem uma causa, uma motivação psicológica, embora nem sempre conhecemos tão claramente os motivos de nossas ações.

• Entre as várias alternativas de atividades possíveis, a escolhida será aquela que corresponde ao impulso mais forte ou ao motivo dominante.

Motivo é tudo que inicia, sustenta e dirige uma atividade, é basicamente um impulso cujas fontes básicas são as necessidades ou as tensões geradas pelo excesso de energia.

* NECESSIDADE-----DESEQUILÍBRIO-----TENSÕES-----IMPULSO-----OBJETIVO-----SATISFAÇÃO


• São as necessidade que geram os motivos, uma necessidade satisfeita não é mais elemento de motivação, temos necessidades fisiológicas, sociais, emocionais, intelectuais,...

Incentivo – É tudo aquilo que serve para aumentar o impulso interno, fazendo o ciclo das motivações girar.

• Barreiras: 

o Internas – Falhas de caráter, falta de conhecimento ou de habilidade, bloqueios, insegurança.
o Externas – Falta de dinheiro, proibições sociais, impedimentos materiais.

• Quando surge alguma barreira que impede a concretização de nossos objetivos e de nossos desejos, reagimos de formas variadas criando mecanismos de defesa.

• Mecanismos de defesa – São processos inconscientes, o Ego exclui da consciência os conteúdos indesejáveis, protegendo desta forma o aparelho psíquico. Todos nós utilizamos estes mecanismos de defesa do Ego, deformamos a realidade para nos defendermos de perigos internos ou externos, reais ou imaginários.

• Reações às barreiras (Defesas):

o Agressividade – Tentar derrubar a barreira pela força física ou psicológica.
o Formação reativa – Adotar uma atitude oposta a um desejo intenso. Ex: exageros, superproteção,..
o Projeção – O indivíduo projeta algo de si no mundo, distorcendo sua visão. É de uso comum, por exemplo nas críticas aos outros.
o Racionalização – Construção de uma argumentação aceitável e convincente para justificar a deformação do real. Ex: argumentos morais, ideologias,...
o Recalque – Eliminação de uma parte da realidade,deforma o sentido do todo, é o mais radical dos mecanismos.Por exemplo quando entendemos uma proibição como permissão porque não ouvimos o “não”.
o Regressão – O indivíduo retorna as fases anteriores do seu desenvolvimento. Atitudes imaturas, infantis. Ex: escândalo ao ver uma barata.
o Resignação – Desistência, conformismo com a derrota, desativa a necessidade.
o Sublimação – Substituição da necessidade original por objetivos artísticos, religiosos ou ideológicos.


• A psicanálise freudiana derrubou a ilusão de uma consciência racional plena, questionou a verdade e a naturalidade de conceitos tradicionais, demonstrou a existência de uma parte irracional do psiquismo humano com força sobre a razão. A visão tradicional que temos da natureza humana caiu por terra, somos seres irracionais, conflituosos e inconscientes da própria natureza.

Resumo Filosofia 2º médio ETIP (3º trim)

Aula 1. Aristóteles (Macedônia, 384 – 322 a.C.) – Vida e obra.

• Nasce na Macedônia, poderoso reino ao norte da Grécia.
• Ingressa na Academia platônica aos 17 anos, foi aluno de Platão por 20 anos, um dos mais brilhantes.
• Morte de Platão em 347 a.C., Aristóteles sai da Academia por discordar dos rumos que a escola estava tomando.
• Aos 41 anos torna-se preceptor do jovem Alexandre Magno, filho de Felipe II, coroado rei sete anos depois.
• Em 335 a.C. funda o Liceu em Atenas, o nome é uma homenagem ao deus Apolo.
• Produziu escritos de Lógica, Metafísica, Ética, Política e de várias outras áreas (economia, poética, física, história, matemática, biologia, psicologia,...)

O caráter sistemático e rigoroso de suas idéias o tornou a grande autoridade filosófica e científica dos medievais, ele era “o filósofo”, o construtor de uma teoria universal e permanente.


Aula 2. Aristóteles (Macedônia, 384 – 322 a.C.) – Principais ideias.

A realidade é uma só, as formas das coisas são imanentes, ou seja, estão dentro delas, fazem parte da sua natureza.
• A Substância é o ser, é a realidade permanente.

• Devir (fluxo):
Potência – Possibilidades reais. (ex: o mármore)

Ato – Realização de uma ou mais possibilidades. (ex: a estátua)

• A teoria das quatro causas:

o Material – A matéria física. Ex: a madeira/ os remédios.
o Formal – A idéia da forma. Ex: a forma da mesa/ o tratamento.
o Eficiente – O botão de“start” Ex: o marceneiro/ o médico.
o Final – A finalidade do ato. Ex: a utilidade/ a cura.

• A causa final de toda a realidade é o 1º motor. (se verificarmos a causa das coisas, e depois disso as causas destas causas e assim por diante, chegaremos até o infinito: a causa da causa da causa..... ; isto não é possível, logo deve haver uma primeira causa para tudo).

• O conhecimento para Aristóteles:

FORMAS SENSÍVEIS-----SENSAÇÃO-----MARCA-----MEMÓRIA,FANTASIA E EXPERIÊNCIA

O conhecimento sensível é base para o conhecimento inteligível.


Aula 3. Filosofia medieval: introdução e patrística.

• Durante o período medieval a filosofia sofre a influência direta do pensamento religioso, cristãos, judeus e árabes muçulmanos elaboram sistemas e doutrinas que buscam explicar as relações entre os homens e Deus, Jeová ou Alá. 

A filosofia cristã

• Tem início com as epístolas de São Paulo e o evangelho de João, no século I.

Objetivo: Conduzir a humanidade à compreensão da verdade revelada por Cristo, buscando seu autêntico significado.

• Divide-se em duas fases: 
Patrística – Do século I ao século VII
Escolástica – Do século VIII ao século XIV

• Patrística – Teve por finalidade organizar a doutrina cristã para garantir a unidade da comunidade de fiéis e defender o Cristianismo dos adversários pagãos.

Principais nomes: Justino, Orígenes, Gregório de Nisa e Santo Agostinho.

• Grandes momentos históricos do Cristianismo:

o 313 – Edito de Milão – O imperador romano Constantino decreta liberdade de culto.
o 325 – Concílio de Nicéia – Reunião para discutir a natureza do pai e do filho.
o 381 – Concílio de Constantinopla I – Discussão sobre o Espírito santo.
o 391 – Edito de Tessalônica – O imperador Teodósio decreta o Cristianismo a religião oficial do Império romano.

• Os filósofos cristãos reconheciam nos maiores filósofos gregos os legítimos precursores do Cristianismo.

Que grande mudança ocorre na filosofia com o surgimento do Cristianismo?

o Com o Cristianismo a filosofia deixa de ser uma busca racional pela verdade, afinal já temos em mãos a verdade revelada, cabe à filosofia apenas entendê-la.


Aula 4. As traduções da Bíblia cristã.

• Bíblia, palavra grega que quer dizer “os livros”.

• O Antigo testamento ou bíblia judaica começou a ser escrito por vários autores a partir do século VI a.C., durante o cativeiro dos hebreus na Babilônia, foi escrito em hebraico e aramaico.

• Por volta do século III a.C. foi feita uma tradução da bíblia para o grego, tarefa encomendada a 72 sábios em Alexandria, no Egito. Esta tradução ficou conhecida como “Septuaginta”.

• O novo testamento ou evangelho ( que em grego significa: boas novas) começou a ser escrito no século I da era cristã na antiga Palestina, então parte do Império romano. A primeira versão foi escrita em latim antigo, foi a “Vetus latina”, embora houvessem também textos em grego. 

• A primeira grande organização sistemática dos textos bíblicos ocorreu com S. Jerônimo no século IV, ele leu, analisou e meditou sobre os textos anteriores e criou a tradução latina chamada “Vulgata”, aprovada pelo Sínodo de Hipona em 393. Foi considerada a versão oficial da Bíblia católica, passou por uma revisão na década de 70 e aprovada em 1979 pelo papa João Paulo II a “Nova vulgata”.


Aula 5. A Patrística medieval: Santo Agostinho (Numídia, 354 – 430).

Aurélio Agostinho, professor de retórica em Cartago, converteu-se ao cristianismo aos 32 anos, tornando-se o bispo de Hipona e um dos maiores teólogos da Igreja Católica, suas principais obras foram: Confissões (400), Sobre a Trindade (422), A cidade de Deus (426).

Agostinho cristianizou a filosofia de Platão, usando suas teorias para melhor explicar os dogmas da fé católica, ele racionalizou a fé cristã.

• O homem não tem razão para filosofar, exceto para atingir a felicidade, que é fruto da intuição e da fé. É necessário “compreender para crer e crer para compreender”, ou seja, a razão está a serviço da fé.

• Deus é a verdade, é o ser que ilumina a razão e lhe fornece a norma e a medida de todos os juízos. Esta ideia é a base da Teoria da iluminação.

Questão: Se Deus é o autor de tudo e também do homem, de onde vem o mal?

Resposta: A realidade do mal contradiz a bondade perfeita de Deus, tudo o que é, é o bem, mas as coisas e as pessoas se corrompem, perdem o seu ser, se afastam do bem. O mal é o nada, é a ausência total do bem.

• Suas ideias foram por muito tempo a doutrina fundamental da Igreja Católica, até hoje em dia, alguns setores da Igreja e algumas escolas seguem seus ensinamentos.


Aula 6. A Escolástica cristã.

• É o período em que a Igreja Romana dominava a Europa, coroava reis, organizava as cruzadas e criava as primeiras universidades.

Universidade de Bologna (Itália) em 1088,
Universidade de Paris (França) em 1170,
Universidade de Padova (Itália) em 1222,
Univ. de Napoli (1224), Siena (1242) e Pisa (1243), todas na Itália.
Univ. de Oxford (1249) e Cambridge (1284), ambas na Inglaterra.
Universidade de Coimbra (Portugal), em 1308.

• A origem e o desenvolvimento da Escolástica está intimamente ligada à atuação dos professores universitários de filosofia e de teologia, com eles ocorre a sistematização do ensino destas disciplinas. Este processo se desenvolvia com duas formas básicas de ensino:

Lectio – Leitura e comentário de um texto consagrado.
Disputatio – Debates acalorados sobre um tema específico, consistia no exame de todos os argumentos possíveis a favor e contra uma tese, eram verdadeiras disputas retóricas.

• O princípio de autoridade era o principal critério para definir se uma tese era verdadeira ou falsa. As principais autoridades eram: a Bíblia, Platão, Aristóteles, um Papa, um santo, os grandes teólogos da Igreja.

• Nomes:
* Cristãos: Abelardo, Santo Anselmo, São Tomás de Aquino,…
* Árabes: Avicena, Averróis, Al-Gazali,…
* Judeus: Maimônides, Bem-Levi, Ibn-Gebirol (ou Avicebron),…

• O problema central da Escolástica era conciliar Fé e razão, buscando a compreensão plena da verdade revelada, o que levaria os homens à salvação.


Aula 7. A Escolástica cristã: São Tomás de Aquino (Roccasecca, 1225-1274)

• Monge dominicano, doutor em Teologia e professor na Universidade de Paris, teve uma vida inteiramente dedicada à meditação e ao estudo, autor de vasta erudição, suas principais obras foram: 
• Principais obras: Comentários sobre as sentenças (1253), O ente e a essência (1256), Súmula contra os gentios (1259), Questões sobre a alma (1264) e a Summa Theológica (1273).

• Tomás via na filosofia aristotélica um alimento intelectual superior e se esforçava para adaptá-la à revelação bíblica.

• A cristianização da filosofia aristotélica só veio a se tornar possível graças ao espírito analítico, à capacidade de ordenação metódica e à habilidade dialética de Tomás de Aquino, que ele aliava a um profundo sentimento da fé cristã.

• Deus é o puro ato de existir, é o ser pleno, a perfeição pura, criador de tudo o que existe.

• Segundo Aristóteles, o conhecimento humano começa com os sentidos, porém os sentidos não são suficientes para conhecer plenamente Deus, logo, é necessário demonstrar racionalmente sua existência.

• As provas da existência de Deus (as cinco vias para Deus):

1. A prova do movimento: Tudo o que se move é movido por outra coisa, e este por outra, e assim por diante. Mas, é impossível continuar até o infinito, logo, deve haver um primeiro motor, causa de todo o movimento, que é Deus.
2. A prova da causa: Na série de causas das coisas, uma é causa da outra, também não podemos chegar ao infinito, logo, deve haver algo que é causa de tudo: Deus.

3. A prova da necessidade: Todos os seres são contingentes, ou seja, não são necessários, podem ou não existir. Se nada é necessário, como explicar a existência de tudo? Logo, deve haver um ser necessário que criou tudo: Deus.

4. A prova dos graus de perfeição: As coisas e as pessoas são mais ou menos perfeitas, há graus de perfeição nos seres, deve haver um ser que contenha em si o grau máximo de perfeição: Deus.

5. A prova do sentido: As coisas naturais devem ter algum sentido, alguma ordem, nada existe por acaso, por acidente, logo deve haver alguma inteligência superior responsável pela ordem do mundo: Deus.

Aula 8. A Summa Theológica de Tomás de Aquino.

• Gigantesca obra teológica, levou 8 anos para ser escrita (de 1265 à 1273). Consta de 611 questões explicadas em mais de 3.400 artigos, todos seguindo a mesma estrutura lógica. Foi considerada a maior sistematização teológico-filosófica da Idade média. 

• A obra tem a seguinte estrutura lógica:

1. Questão segundo o senso comum.
2. Argumentos a favor da questão.
3. Argumentos contrários.
4. Solução da questão.
5. Resposta às objeções.

• Summa Theológica – parte I – De Deus em si mesmo.

o Questão II – Se Deus existe.

Artigo I – Se a existência de Deus é evidente.
Parece que a existência de Deus é evidente. 

a) Temos alguns conhecimentos naturais, Deus é natural.
b) Ao inteligir o nome de Deus, se entende o que é Deus.
c) Se algo é verdadeiro, sua existência também o é.
“Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” (João:14,6)

Mas, em contrário: não se pode pensar o contrário do que é evidente, podemos pensar que Deus não exista, logo, não é evidente.

Solução: A frase “Deus existe” é evidente, pois o predicado se identifica com o sujeito; mas, como não sabemos exatamente o que é Deus, sua existência necessita ser demonstrada.

Resposta às objeções
1. Deus é a felicidade do homem, e o que naturalmente se deseja, se conhece. Mas, esta relação não é válida, pois as pessoas tem visões diferentes do que seja a felicidade.
2. Quem ouve o nome de Deus não o identifica como o ser real, só podemos entender o significado de seu nome no intelecto. Se a existência de Deus fosse evidente, não existiriam ateus.
3. A existência da verdade é evidente por si, mas não é evidente para nós, pois cada um pode ter a sua verdade.

Resumo Filosofia 1º médio ETIP (3º trim)

Aula 1. O que é política? O que é poder?

  • A palavra política vem do grego “ta polítika” e quer dizer originalmente negócios públicos dirigidos pelos cidadãos da pólis.

  • Podemos definir política de três modos:

    • Governo – Direção e administração do poder público sob a forma do Estado.

    • Atividade especializada – Atividade de profissionais que se ocupam com o Estado, os ‘políticos’.

    • Conduta na organização de uma instituição – Modo de administrar uma empresa, uma escola ou um grupo de pessoas. Nesse sentido podemos falar em uma poítica econômica, política estudantil, política sindical,…
 *A política foi inventada como o modo pelo qual os humanos regulam e ordenam seus        interesses       conflitantes, seus direitos e deveres enquanto seres que vivem em sociedade.

  • A política determina as relações de poder.
  • POLÍTICA-Conceitos relacionados: PODER e CONFLITO

                                         
         

  • A política não está desvinculada do cotidiano, não é uma atividade ‘a parte’ , ela está inserida em todas as relações sociais, seja na família, na escola, no trabalho, ou até mesmo em ambientes de lazer.

  • O Poder:  

  • Toda ação politica envolve poder, e toda circunstância em que o poder aparece é, de alguma forma, uma situação política, ou seja:

POLÍTICA  =  PODER

  • O poder pode ser entendido basicamente como força para agir, esta força não precisa necessariamente ser física, pode ser psicológica, emocional, de caráter, …

  • Qualquer meio que permita influenciar o comportamento de outra pessoa pode ser visto como poder. Por exemplo, alguns artistas tem o poder de arrastar multidões para assistirem seus shows, as propagandas tem o poder de induzir as pessoas a comprarem determinado produto.

  • Quando falamos do poder público, ou seja, do governo, devemos ter em mente que o objetivo de qualquer atividade poítica deveria ser o bem comum, suas atitudes devem necessariamente visar o benefício das pessoas da comunidade governada. É aí que entra a ética, a responsabilidade no exercício do poder visando o bem comum.


Aula 2. As ideias políticas de Platão (Atenas, 428 – 347 a.C.)

  • Platão foi discípulo de Sócrates desde os vinte anos de idade, possuía intensa admiração e respeito pelo mestre, considerando-o um dos homens mais sábios de toda a Grécia.

  • Em 399 a.C. Sócrates foi julgado e condenado à morte pela assembleia ateniense com a acusação de corromper a juventude e de não acreditar nos deuses.

  • Platão, inconformado com a morte de seu mestre, faz severas críticas à Democracia de Atenas: como é possível que um sistema político condene a morte um de seus mais ilustres cidadãos?

  • A atividade filosófica de Platão passa a ter um objetivo claro: Encontrar a comunidade perfeita, o sistema político ideal.

  • Qual seria a base desta tal comunidade perfeita?  A Justiça.

  • Justiça: Para Platão, é justo que cada parte da sociedade cumpra uma função adequada à natureza de cada um, ou seja, se a pessoa tem um dom específico, ou mesmo muita facilidade de atuar em certa área, é justo que ela use seus talentos naturais em benefício próprio e da sociedade.

  • Problema = Como saber a natureza de cada um?    Através da Educação.

  • A educação platônica deveria atuar no sentido de descobrir e desenvolver os talentos naturais de cada um, conhecendo assim a predisposição natural das pessoas, classificando-as de acordo com este critério.
  • Divisão social: 

 


Classe produtora – os trabalhadores, agricultores, artesãos, …

           Classe guerreira – os guardiões da cidade, os mais fortes.

Classe governante – Os melhores, os que se guiam pela razão.





*Para Platão, somente o filósofo teria a disciplina moral e intelectual para governar, só ele teria acesso pleno à verdade, estando assim acima de qualquer lei, pois saberia distinguir as ideias corretas de justiça, bem, felicidade,…

  • Fonte do poder = O conhecimento, a razão.


Aula 3. A política de Aristóteles (Macedônia, 384 – 322 a.C.)

  • Discípulo de Platão desde os dezessete anos, foi considerado seu aluno mais brilhante, divergiu das ideias platônicas criando seu próprio sistema filosófico.

  • Aos 41 anos torna-se preceptor (professor) do jovem Alexandre, o grande, filho do rei Felipe II, esta proximidade com os círculos do poder em um grande reino tornou-se uma rica experiência para Aristóteles.

  • A política deve ter por objetivo o Bem comum e a Justiça.

  • Justiça (ou excelência moral) – Disposição da alma para desejar e fazer o que é justo, bom e correto de forma habitual, é o exercício da virtude moral perfeita.

  • O Justo – Para Aristóteles a justiça pode ser aplicada de várias formas: distributiva, participativa e corretiva, de acordo com a ocasião que se apresente. Deve ser regido pelo princípio da proporcionalidade, ou seja, a justiça se coloca como uma proporção justa, adequada, um meio-termo.

  • Exemplos: 
    • Distributiva – É justo uma pessoa receber um salário proporcional ao tempo, ao esforço e às necessidades materiais de sua família.

    • Participativa – É justo que todos os grupos sociais participem das assembléias, das decisões políticas, os grupos maiores têm direito a uma maior participação nas votações.

    • Corretiva – É justo punir um infrator de forma proporcional ao seu crime, restaurando ou compensando a perda da vítima.

  • Segundo Aristóteles, “o homem é um animal político.”, devido à sua natureza racional e ao domínio da linguagem, isso quer dizer que somos seres sociais, precisamos dos outros para viver e os outros precisam de nós, estabelecemos relações de poder, logo, políticas.

  • Fonte de poder – A virtude, a natureza virtuosa.

Aula 4. O pensamento político medieval.

  • A política européia do período medieval foi marcada por uma forte influência da religião cristã e pela ascensão e domínio da Igreja Católica apostólica romana, detentora do poder teológico-político.

  • A religião cristã é uma comunidade cujos membros formam o povo de Deus, que vive sob a Lei de Deus.

  • Objetivo da política: O bem comum e a justiça, garantindo a salvação dos fiéis.

  • Teoria do bom governo – Tem por base a idéia do rei-filósofo de Platão, o governante deve servir de exemplo para a comunidade, sendo um príncipe virtuoso. Nesta teoria, a justiça do reino depende das qualidades morais do governante. Exaltação das virtudes cristãs: fé, esperança e caridade.

  • Teoria do direito divino dos reis – Os reis eram considerados representantes de Deus, se estão no poder é por que Deus assim o quis, logo, desobedecer ao rei equivale a pecar contra Deus.

  • Principal questão política medieval: A oposição entre o poder espiritual, eterno (o papa) e o poder temporal, finito (o imperador).

  • Se a fonte de poder é Deus, então os reis e imperadores devem obediência ao papa.

  • Ex: o imenso poder do papa Gregório VII (1073-1085) em conflito com o imperador Henrique IV do Sacro império romano-germânico na chamada Questão das investiduras ( quem deve ter o poder de nomear/ investir os bispos?)

  • Santo Agostinho (Numídia, 354 – 430).

  • Professor de retórica em Cartago, converteu-se ao cristianismo aos 32 anos, tornando-se o Bispo de Hipona e um dos maiores teólogos da Igreja Católica, suas principais obras foram: “Sobre a Trindade”, “Confissões” e “A cidade de Deus”.

  • Agostinho manteve os laços entre ética e política, concebendo o amor como fundamento da comunidade social perfeita, a Cidade de Deus, em oposição à busca dos prazeres terrenos da Cidade dos homens.

                    CIDADE DE DEUS                                           CIDADE DOS HOMENS

                        Cidade perfeita       -------------------------             Cidade imperfeita
                       Finalidade divina     -------------------------             Finalidade terrena
                       Amor de Deus         -------------------------             Amor de si
                      Desprezo de si         -------------------------             Desprezo de Deus
                          A Igreja                -------------------------              Roma                     
·        As duas cidades, de Deus e dos homens convivem lado a lado nas cidades terrenas, ou seja, se referem ao estado de espírito dos fiéis


Aula 5. As ideias políticas de Tomás de Aquino ( Itália, 1225-1274).

  • Monge dominicano, doutor em teologia, professor na Universidade de Paris.

·        Há uma “Lei eterna” que governa todo o Universo. A “Lei natural” dos homens é um reflexo da lei eterna.

  • Lei natural

 


                    Tendência para o bem natural. (próprio e dos outros).

                                Tendência para os atos naturais. (comer, beber, dormir,…).

                    Tendência para atos racionais.


  • A Lei natural é a primeira regra da razão.

  •  Objetivos da política :

* Ordem -  O inferior deve sempre obedecer o superior.                         * Justiça – Dar a cada um segundo suas necessidades e seus méritos.



  • Só a ordem e a justiça podem garantir o Bem comum


·         Segundo Tomás a melhor forma e governo é a Monarquia, pois é a mais parecida com o governo do mundo. 

·         O governo civil deve se subordinar ao governo religioso, ou seja, o papa tem poder sobre os reis.