sábado, 13 de maio de 2017

Resumo Filosofia 2º médio ETIP (2º trim)


Aulas 1/2. O Renascimento e o humanismo.



  • Renascimento: Movimento de renovação cultural, racional e científica ocorrido primeiramente na Itália no início do século XIV; inspirado na cultura greco-romana, rejeitava os valores medievais, considerando a Idade média como uma “Idade das trevas”, abolida por um renascimento dos valores da antiguidade clássica.



  • Fases do renascimento:



  • Trecento (1300/1399):

o   Período de transição, mudança gradual.

o   Literatura – Dante Alighieri, Petrarca e Bocaccio.

o   Obra marcante – A Divina Comédia (Dante – 1321).

  • Quattrocento (1400/1499):
          • Período de apogeu, antropocentrismo.
          • Artes plásticas – Donatello, Botticelli, Masaccio.
          • Obra marcante – O nascimento de Vênus (Botticelli – 1483). 



  • Cinquecento (1500/1599):
          • Período de maturidade, humanismo.
          • Apogeu das artes plásticas e das teorias políticas..
          • Nomes – Da Vinci, Michelangelo, Rafael, Bruno, Maquiavel.
          • Obras marcantes – Mona Lisa (Da Vinci – 1507), O príncipe (Maquiavel – 1532).



  • Comparativo dos valores medievais e renascentistas:



                              IDADE MÉDIA                                     RENASCIMENTO

·         Influência cristã
·         Teocentrismo (Deus).
·         Coletivismo (o rebanho de fieis).
·         Misticismo (Explicações mágicas).
·         Dogmatismo (Verdade absoluta).
·         Ascetismo (Elevação da alma).
·         Escolástica ( A fé controla a razão).
Influência clássica greco-romana.
Antropocentrismo (O homem).
Individualismo (autonomia).
Naturalismo (Explicações naturais).
Racionalismo (Espírito crítico).
Hedonismo (O valor do prazer).
Humanismo ( A razão tem o controle).











·         Racionalismo - Tudo pode ser explicado pela ciência e pelo uso da razão, em oposição à crença medieval de que a verdade só pode ser conhecida pelos ensinamentos da Igreja, baseados na fé e a religião.



·         Humanismo – Doutrina segundo a qual o homem é o valor supremo e fonte dos valores, no renascimento designa um ideal de cultura e de sabedoria livre das limitações impostas pela igreja Católica.



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Aula 3/4. O pensamento político de Nicolau Maquiavel (1469-1527).



  • Viveu intensamente os conflitos políticos de sua época, foi chanceler e embaixador de Florença numa Itália dividida em vários reinos e principados.



  • Sua principal obra é “o príncipe” (1513-1516), que basicamente é um manual sobre como se deve governar as massas.



  • Maquiavel parte da política real de seu tempo, não da ideal, ele prefere escrever sobre como se faz política real e não como deveria ser um governo ideal.



  • Críticas às ideias clássicas:
    • Fundamento da política – Deus, a natureza ou a razão.
    • Objetivos da política – O bem comum e a justiça.
    • A boa política se faz com um príncipe virtuoso.



  • Maquiavel era radicalmente contra a visão tradicional de política e contra as ideias que a fundamentava.



  • Principais ideias de Maquiavel:
    • Não se pode contar com a boa vontade do homens, pois todos são egoístas e ambiciosos.
    • A política é um fim em si mesmo.
    • Se puder exerça o bem, mas deve-se saber usar o mal quando necessário.
    • O objetivo da política é a tomada e a manutenção do Poder.
    • A política é a lógica da força (virtú – virtude).
    • O príncipe deve fazer-se temido e, se não for amado, deve evitar ser odiado.
    • “Os fins justificam os meios.” (finalidade principal: a estabilidade política).
    • Maquiavel separa política de ética e direito.
    • Sua filosofia expressa a realidade interna do poder.
    • Governar é fazer acreditar.

 Aulas 5/6. O nascimento da ciência moderna.



  • A visão de ciência dos antigos gregos – O conhecimento estava voltado para a compreensão da totalidade do real, da vida humana e da natureza, o ensino tinha por objetivo o domínio de si mesmo e a reflexão sobre as virtudes.



  • O período moderno, em especial a partir do século XV, significou o fim do cosmo fechado grego e da transcendência medieval, dando lugar a uma nova concepção de homem e de mundo, a partir da consciência do Cosmo infinito.



  • O homem se separa do Cosmo, que passa a ser visto como objeto, conhecendo a possibilidade de dominá-lo.



  • A Revolução científica é um  movimento de ideias que ocorreu, simultaneamente na Física, na Astronomia e na Biologia, e que vai provocar uma reviravolta no pensamento filosófico.



  • A Epistemologia ou filosofia da ciência investiga os limites, as possibilidades, as origens e os tipos de conhecimento científico.

  
  • MÉTODO:



    • Tem origem grega, significa “seguir um caminho”.
    • Constitui o conjunto de procedimentos necessários para orientar determinada atividade ou pesquisa.
    • Exemplos: método dedutivo, método experimental, método indutivista,…



  • TEORIAS CIENTÍFICAS:



  • Com o método, o cientista procura conhecer Leis universais que expliquem certos fenômenos particulares, o encadeamento dessas leis e de fatos faz surgir as Teorias científicas.



  • Como se elabora uma teoria científica:



  • Primeiramente, o cientista seleciona um FATO, visto como um PROBLEMA a ser resolvido. Com a OBSERVAÇÃO dos fatos criam-se HIPÓTESES, que devem guiar as EXPERIÊNCIAS, essas experiências devem comprovar ou não as hipóteses, com resultados positivos, o cientista extrai LEIS necessárias, que ao serem encadeadas formam as TEORIAS científicas.



  • O que é uma teoria científica?



  • É um sistema ordenado e coerente de proposições ou enunciados baseados em um pequeno nº de princípios, cuja finalidade é descrever, explicar e prever do modo mais completo possível um conjunto de fenômenos, oferecendo suas leis necessárias.



  • Podemos citar como exemplos: a teoria da evolução, a teoria do Big bang ou a teoria da relatividade de Einstein.



  • A ciência do século XVII:



  • O desenvolvimento científico do século XVII foi fundamental para a construção da ciência moderna, pois os pressupostos ali colocados serviram de base para tudo o que foi feito a partir daí.



  • Pressupostos:
    • Matematização da natureza – Explicação de eventos naturais através das relações matemáticas existentes.
    • Adoção do método experimental – Não confiar apenas nas teorias, mas fazer experimentos que as comprovem.
    • Pensamento mecanicista – O Universo é considerado uma grande máquina, aonde todos os seus elementos estão conectados.
    • Novos objetivos -  Aa ciência passa a ter como objetivo ampliar o poder dos homens sobre a Natureza.



  • A partir do século XVII há uma mudança radical de postura intelectual, com a adoção dos pressupostos citados, o homem passa a ter poder sobre a Natureza, fabricando novas verdades.


Aula 7. A oposição entre o Racionalismo e o Empirismo.



  • O RACIONALISMO:



  • Doutrina filosófica inaugurada pelo francês René Descartes (1596-1658),  faz do sujeito do conhecimento o  fundamento de toda a verdade.
  • A Razão é a luz natural inata que permite o acesso à verdade.
  • A verdade é uma característica das ideias e não das coisas.
  • A frase considerada símbolo do Racionalismo é o cogito cartesiano: “Penso, logo existo.”    (a primeira verdade é a minha existência enquanto um ser pensante).



  • AS IDEIAS INATAS:
  • Descartes defende a existência de “ideias inatas”, que por serem puras (livres dos sentidos) só podem existir porque já nascemos com elas.
  • Exemplos: Infinito, tempo, espaço, Deus, relações matemáticas,.. (intuições intelectuais).



  • O EMPIRISMO:



         Doutrina filosófica que encontra o seu auge nos séculos XVII e XVIII na Inglaterra com Francis Bacon, John Locke e David Hume.

         A Razão, a verdade e as ideias são adquiridas por nós através da experiência sensível, antes da experiência, nossa mente é como uma “folha em branco”.



         A ORIGEM DAS IDEIAS:

         As sensações formam a percepção, a associação das percepções formam as ideias.

         Temos o hábito de fazer associações; para Hume  a razão é o hábito de associar ideias.



  • PROBLEMAS:



         Do Racionalismo: Se as ideias são inatas, porque mudam? (A razão muda e prova que certas ideias são falsas.)



         Do Empirismo: Se as ciências são apenas hábitos, não possuem objetividade (verdade?), o conhecimento empírico é uma ilusão. (Impossibilidade do conhecimento objetivo da realidade).  




Resumo Filosofia 1º médio ETIP (2º trim)


Aulas 1/2. O início da filosofia e os filósofos pré-socráticos.



  • Segundo os historiadores, a filosofia começou no início do século VI a.C., nas colônias gregas da Ásia menor (atual Turquia), Tales de Mileto (610 – 547 a.C.), um dos sete sábios da antiguidade é considerado o primeiro filósofo.



  • O problema central das primeiras reflexões é o da mudança e da multiplicidade, ou seja, os gregos perguntam o que são as coisas, o que elas são sempre por detrás de suas múltiplas aparências? Como ocorrem as constantes transformações na natureza?



  • As respostas míticas sobre a origem ou o princípio das coisas não mais satisfaziam as indagações humanas. Aos poucos as respostas religiosas e mitológicas vão dando lugar a explicações naturais.



  • Com o questionamento das teogonias (origem mitológica dos deuses) e das cosmogonias (origem mitológica do mundo), a filosofia nasce como uma Cosmologia, ou seja, com o conhecimento racional da ordem do mundo ou da natureza.



  • A pesquisa filosófica na Grécia antiga se fazia através de “escolas”, que nada mais eram do que grupos de pensadores que compartilhavam ideias, dúvidas e costumes, em um verdadeiro centro de investigações.



  • As cinco mais importantes escolas filosóficas da antiguidade eram:

  1. Escola Jônica:



    • Tales de Mileto – A água é a origem e a matriz de todas as coisas, tudo é um, existe um Logos, uma razão que explica e organiza o Universo.
    • Anaximandro – A substância primordial é o Ápeiron (infinito, indefinido), as mudanças ocorrem através da lei universal de justiça.
    • Heráclito de Éfeso – O mundo é um eterno devir, a realidade é um fluxo eterno de mudanças contínuas.    



  1. Escola Eleática:



    • Parmênides de Eléia – “O ser é, o não ser não é”; distinção entre verdade e aparência, o ser verdadeiro não muda, o que muda são as aparências.
    • Zenão de Eléia – Nega a multiplicidade e o movimento, argumentos do absurdo, infinita divisibilidade (Aquiles e a tartaruga).



  1. Escola Itálica ou Pitagórica:



    • Pitágoras de Samos – A substância das coisas é o número, a ordem é a perfeição.
    • Filolau de Crotona – A forma geométrica das partículas determina a diversidade dos elementos.

  1. Os físicos da pluralidade:



    • Empédocles de Agrigento – O princípio do real é múltiplo, formado pelos quatro elementos, o amor une, o ódio separa, amor e ódio são forças cósmicas.
    • Anaxágoras de Clazômenas – Há um princípio inteligível que é a causa da ordem do mundo, tudo é formado por partículas elementares (sementes).



  1. Os atomistas:



    • Leucipo de Mileto – O real é composto pela união e separação dos átomos, regida por uma razão necessária.
    • Demócrito de Abdera – O ser é pleno, o não-ser é vazio, defende a ética e a felicidade, o respeito por si.



  • Apesar das conclusões destes filósofos serem diferentes, existe algo em comum, que é a crença de que as transformações e os movimentos que constituíam a natureza Physis

poderiam ser explicadas a partir de uma substância única, material e primordial que forma todo o Cosmos, a Arché.



  • OBS: Ver textos da apostila Pitágoras páginas 55 a 67 (só as partes grifadas



Aulas 3/4. Sócrates de Atenas (470 – 399 a.C.).



  • Filho de um escultor (Sofronisco) e de uma parteira (Fenarete). As ocupações dos pais tiveram influência na sua atividade filosófica.



  • Viveu durante o “Século de Péricles”, idade de ouro de Atenas. Aonde a democracia era o regime político vigente. Com a democracia direta, a função dos oradores na Ágora era fundamental.



  • A principal função da educação grega era preparar o indivíduo para a vida pública, tornando-o um cidadão capaz de discutir sobre as questões da cidade.



  • Os Sofistas eram professores de eloquência, bem remunerados, que se propunham a ensinar aos jovens o uso correto e hábil da palavra, não se importando se o que se falava era ou não verdadeiro, o objetivo era aprender a convencer os outros com suas ideias.



  • Um dos mais importantes sofistas foi Protágoras de Abdera, cujo lema era: “O homem é a medida de todas as coisas.” Ou seja, são os seres humanos que inventam as verdades, logo ela é totalmente relativa, os valores humanos passam a ser meras convenções sociais.



  • Ciência e missão de Sócrates:



    • Querefonte, um grande amigo de Sócrates fez uma consulta ao Oráculo de Delfos, perguntando: Qual o homem mais sábio de toda a Grécia? A resposta do Oráculo foi: Sócrates é o mais sábio.



    • Ao saber disso, Sócrates estranhou a resposta: como posso ser sábio se tudo o que sei é que nada sei?



    • Decide então investigar os atenienses para compreender a fala do Oráculo, questiona as pessoas que se julgam sábias e com maestria incomum, derruba argumentos e falsas ideias, demonstrando que os outros também não sabiam de nada, pois eles supõem saber algo que não sabem.



    • Com ironia, Sócrates mostra às pessoas que elas ignoram a verdade, isso gera ódios e rancores contra ele. Os jovens da época entusiasmavam-se com esta prática.



    • Sócrates se considerava encarregado da missão de despertar os homens para o conhecimento de si mesmos, sua pesquisa buscava descobrir a essência das virtudes e dos valores morais, buscava a verdade do conhecimento.



  • O método socrático:



    • Sócrates acreditava que a filosofia se faz através do diálogo, ele utilizava um método bem específico de dirigir suas investigações, constava de dois passos:



    • A Ironia – Ao dialogar, Sócrates procurava provocar uma catarse, ou seja, uma purificação da alma através da eliminação das falsas opiniões e das ilusões, acabando com a ilusão de sabedoria, fazendo com que as pessoas reconhecessem a própria ignorância.



    • A Maiêutica – A seguir, com a concordância do outro, Sócrates buscava em conjunto a construção de novas ideias pelo diálogo, fazendo um verdadeiro parto de ideias.



  • O julgamento de Sócrates:



    • Com o passar dos anos, a atividade socrática passou a incomodar pessoas importantes de Atenas, em 399 a.C. foi levado a julgamento sob a acusação de corromper a juventude e de não acreditar nos deuses que a cidade acreditava.



    • Durante o julgamento, narrado por Platão no texto: “a defesa de Sócrates”, o filósofo argumenta ao seu modo habitual, mas não consegue convencer a maioria da Assembléia e é condenado por uma margem pequena de votos.



    • Condenado, é convidado a propor sua pena, ao que ele responde ser merecedor de prêmios e não de castigos, propõe então ser sustentado no Pritaneu como se fosse um herói olímpico, pois tornava os atenienses pessoas melhores, conscientes de si mesmos e dos valores morais.



    • Sócrates foi condenado à morte por envenenamento com cicuta, aguardando a execução, ele se recusa a fugir, dizendo ser contra os seus princípios, prefere a morte a declarar-se culpado, pois não abre mão de sua própria consciência. Esse gesto imortaliza a figura de Sócrates como o mártir da filosofia.


  • OBS: Ver textos da apostila Pitágoras páginas 75 a 83 (só as partes grifadas).   

  

Aulas 5/6. Platão de Atenas (428 – 347 a.C.)



  • Discípulo de Sócrates desde os 20 anos.



  • Crítica à democracia ateniense após o julgamento de Sócrates.



  • Escreveu 34 diálogos e 13 cartas, a maioria dos diálogos tem Sócrates como personagem principal.



  • O conhecimento sensível é fonte de erro devido à natureza imperfeita, instável e corruptível da matéria.



  • Os objetos e as ações humanas são limitados, não chegam a contemplar as ideias plenas e perfeitas.



  • Platão divide a realidade em dois níveis:



    1. O mundo sensível - material, cópia imperfeita do mundo das ideias.



    1. O mundo inteligível – O mundo das ideias, o reino das formas, o ser.



  • Platão utiliza mitos e alegorias para demonstrar suas teorias, em seus diálogos três mitos são destacados:
    • A alegoria da Linha dividida.
    • O mito de Er, ou a teoria da reminiscência.
    • O mito da caverna.





  1. A alegoria da linha dividida:


         

  1. O mito de Er, ou a teoria da reminiscência:



  • Este mito, relatado no livro X da "República", conta a história de Er, um guerreiro que após morrer em batalha obteve permissão para voltar à vida, contando aos vivos o que se passava no além.
  • Segundo ele, as almas passavam por um processo aonde poderiam escolher a vida que teriam na Terra, após a escolha, esta era gravada na alma, tornando-se assim o destino desta alma, após isso era necessário passar pelas águas do rio Lethe, para esquecer a escolha feita.
  • Platão utiliza este mito para explicar nossa passagem pelo mundo das ideias e como não podemos fugir das consequências de nossas escolhas, devemos, portanto escolher sempre o bem.
  • Como consequência disso, para Platão, conhecer é lembrar-se das ideias plenas e perfeitas que já contemplamos um dia, quando estivemos no mundo das ideias.

   

  1. O mito da caverna:  



·         Um dos mitos mais conhecidos de Platão é o da caverna, segue abaixo um desenho com os elementos básicos do mito.





·         Uma possível interpretação dos elementos:

o   O cativo - somos nós, o senso comum.

o   As sombras – a realidade física, aparente.

o   O muro e os fantoches – a manipulação da realidade aparente.

o   O fogo – a fonte artificial da realidade aparente.

o   O mundo exterior – a verdadeira realidade, o mundo das ideias.

o   O sol – é a ideia do bem, a fonte da verdade.

o   O liberto – representa o filósofo, aquele que tem a coragem de olhar para outra direção, buscando a verdade e não se deixando guiar pelas sombras.



·         O mito, ou alegoria da caverna representa o difícil caminho rumo ao conhecimento verdadeiro; libertar-se do mundo sensível e contemplar as ideias do mundo inteligível são as difíceis missões do filósofo, encarregado de ensinar essa tarefa aos homens.