sexta-feira, 8 de abril de 2016

Resumo Sociologia 1º médio ETIP (1º trim)


Aula 1. O que é Sociologia?

  • Duas meninas, Amala e Kamala, foram descobertas em 1921, numa caverna da Índia, vivendo com lobos. Essas crianças, que na época tinham dois e oito anos de idade, foram confiadas a um asilo e passaram a ser observadas por estudiosos. Amala, a mais jovem, não resistiu à nova vida e morreu um ano mais tarde. A outra, porém, viveu cerca de oito anos. Ambas apresentavam hábitos alimentares bem diferentes dos nossos. Como fazem normalmente os animais, elas cheiravam a comida antes de tocá-la, dilaceravam alimentos com os dentes e faziam pouco uso das mãos para beber e comer. Possuíam aguda sensibilidade auditiva e o olfato desenvolvido. Locomoviam-se de forma curvada, com as mãos apoiadas no chão. Kamala levou seis anos para andar de forma ereta e pouco antes de morrer tinha um vocabulário de cerca de 50 palavras.

  • “O relato acima descreve um fato verídico e permite entender em que medida as características humanas dependem do convívio social. Amala e Kamala, as meninas-lobo da Índia, por terem sido privadas do contato com outras pessoas, não conseguiram se humanizar: não aprenderam a se comunicar através da fala, não foram ensinadas a usar determinados utensílios, não desenvolveram processos de pensamento lógico...”
   (Extraído de: DAVIS, Cláudia; OLIVEIRA, Zilma de. Psicologia na educação. São Paulo: Cortez: 1990. p 16-17)


  • Os indivíduos só adquirem características realmente humanas quando convivem em sociedade com outros seres humanos, estabelecendo com eles relações sociais.

  • Uma sociedade não é apenas a soma dos indivíduos que a compõem, mas o conjunto de relações que ligam as pessoas.

  • Sociologia = Ciência que estuda sistematicamente as relações sociais e as formas de associação, ou seja, estuda os grupos e os fatos sociais

  • Utilidades da Sociologia:  
* Compreensão da dinâmica das relações cotidianas.
( Como nasce a sociedade? Como mantê-la? Como resolver conflitos?)
* Elaboração de políticas públicas.
( Planejamento das ações de governo)
* Análise de comportamentos sociais.
( Análise de ambientes por empresas, partidos políticos, igrejas)
* Incentivo à cidadania.
( Análise crítica, compreensão de problemas).
    
 
     
Aula 2. O eu na Revolução industrial.

·         Revolução industrial: Conjunto de transformações econômicas e sociais ocorridas inicialmente na Inglaterra a partir de 1760 (século XVIII) com a invenção das máquinas de fiar e de tear.


·         Principais características:
ü  Grande desenvolvimento tecnológico.
ü  Aceleração do processo produtivo.
ü  Substituição da produção agrária manual pela produção urbana mecanizada.
ü  Fortalecimento do sistema capitalista.
ü  Separação entre Capital e Trabalho
ü  Surgimento de uma classe operária.
ü  As oficinas artesanais dão espaço aos galpões do sistema fabril.

·         Principais invenções: Máquina de fiar (1764), máquina a vapor (1765), tear hidráulico (1769), tear a vapor (1780), barco a vapor (1803), locomotiva (1803), telégrafo (1835), fotografia (1839), motor a gasolina (1860), telefone (1876), luz elétrica (1879), automóvel (1885).




FASES DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL




------------------------------------ 1ª fase (1760/1860) ------ 2ª fase (1860/1945)



Material usado ------------------ Ferro e carvão --------------- Aço e ligas metálicas

Forma de energia -------------- Vapor e hidráulica ---------- Elétrica e petrolífera
Indústria predominante ------- Têxtil --------------------------- Siderúrgica e outros.


Países participantes ----------- Inglaterra --------------------- Alemanha, França,


Aulas 3. Os impactos sociais da revolução industrial.


  • A revolução industrial modificou drasticamente a vida das pessoas, trouxe novas responsabilidades, novas ideias, novas rotinas e principalmente novos problemas. Transformou totalmente a maneira de compreender e organizar a vida.

Antes da revolução --------------------------------Depois da revolução

* Vida rural.                                                 * Vida urbana.
* Trabalho agrícola no campo.                   * Trabalho industrial nas fábricas.
* Atividades coletivas em família.               * Atividades individuais separadas.
* Tempo: necessidades e vontades.          * Tempo: controle pela rotina fabril.
* Casas rústicas para 1 ou 2 famílias.        * Cortiços coletivos para 15/20 famílias.
* Teocentrismo: Deus é o centro.               * Antropocentrismo: o homem é o centro.



               A partir da revolução industrial surge a necessidade de pensar a sociedade como objeto
de estudo, foi preciso criar uma nova ciência com método próprio para isso: a Sociologia, que surgiu como uma forma de entender e talvez resolver os novos problemas políticos e sociais criados por essa revolução.
                                                                         
  • OBS: Ver textos da apostila Pitágoras páginas: 11, 12, 13 e 15. 


Aula 4. O surgimento da sociologia.

  • Ambiente propício ao surgimento da sociologia:
    • Cenário industrial urbano, com novas relações de trabalho.
    • Nova configuração econômica da sociedade capitalista ( mercado consumidor, salários, lucros,…)
    • Infra-estrutura precária em saúde, educação, moradia, transportes,…
    • Caos social com violência, alcoolismo, miséria e desorganização social.

  • Auguste Comte (França, 1798 – 1857):
    • Professor de matemática, filósofo e secretário de Saint-Simon, um socialista utópico; foi o primeiro a mencionar a necessidade de se estabelecer uma ciência responsável pela compreensão da sociedade.
    • Fundação da “Física social” com o objetivo de adaptar o método científico da física às ciências humanas e sociais.
    • Estabelecimento da Ciência positiva – o conhecimento científico é o único capaz de alcançar a verdade.
    • Principal lema: Ordem e progresso, com o objetivo de manter o controle para atingir o desenvolvimento, a ordem é a base do progresso, que é efeito da ordem.
    • O progresso da humanidade depende única e exclusivamente dos avanços científicos.

  • OBS: Ver textos da apostila Pitágoras páginas: 20 e 21.


Aula 5/6. Três clássicos da sociologia.


  • Émile Durkheim (França, 1858 – 1917):
    • Professor de sociologia que transformou a sociologia em ciência reconhecida.
    • Desenvolveu as regras do método sociológico.
    • O sociólogo deve ser imparcial, tratando os fatos sociais como “coisas”.
    • A sociedade é maior do que os indivíduos.
    • O principal objeto de estudo desta ciência são os “fatos sociais”.

  • Fatos sociais:
    • São maneiras coletivas de agir, pensar e sentir impostas pela sociedade. Todos os processos de interação humana são fatos sociais.
    • Características dos fatos sociais:
      • Exterior (existem fora da nossa mente).
      • Geral (Válidos para um grande número de pessoas).
      • Coercitivo (Exercem pressão sobre os indivíduos).


  • Karl Marx (Alemanha, 1818-1883):
    • Filósofo, jornalista e ativista político, vivencia as crises de 1848 e se mobiliza contra as condições desumanas dos trabalhadores, foi expulso da Alemanha, da França e da Bélgica por suas atividades políticas, passa a viver em Londres.
    • Para ele, o modo de produção, ou seja, as condições econômicas determinam a ação dos homens. 


  • Max Weber (Alemanha, 1864-1920):
    • Professor universitário, estudou direito, filosofia, história  economia.
    • Ele funda a chamada “sociologia compreensiva”, considerando a ação individual como ponto de partida para se entender a realidade social.
    • Ação social: Conduta humana dotada de um significado subjetivo, de acordo com seu caráter social.
    • Segundo Weber há quatro tipos ideais de ação social:

1.        Racional com relação a um objetivo: Projeto para agir. Ex: Um professor planejando a aula, um engenheiro desenhando a planta de um prédio.
2.        Racional com relação a um valor: Fidelidade a valores políticos, religiosos. Ex: um capitão que afunda com seu navio, um ataque terrorista.
3.        Emocional  ou afetiva: Reação emocional por medo, inveja, vingança,… Ex: brigas de torcidas.
4.        Tradicional: Ação por hábitos, crenças ou costumes. Ex: participar de cerimônias de casamento, funeral.


  • A sociologia é uma ciência que pretende construir uma consciência capaz de analisar criticamente os problemas sociais, os teóricos citados formam a base dos conceitos sociológicos, suas ideias são válidas até hoje.





sábado, 26 de março de 2016

Resumo Filosofia 3º médio ETIP (1º trim)

Aula 1. Teoria do conhecimento.

         Área da Filosofia que estuda a questão do conhecimento humano, logo, suas principais questões são:

1.    Como ocorre o processo do conhecimento?
2.    Qual o alcance e os limites do conhecimento humano?
3.    Como garantir que um conhecimento é verdadeiro?

  • O processo do conhecimento ocorre na Relação entre Sujeito e Objeto.    

  • FONTES E FORMAS DO CONHECIMENTO =

         SENSAÇÃO (Matéria dos sentidos: imagens, sons, cores,…).
         PERCEPÇÃO (Organiza as sensações e forma representações).
         IMAGINAÇÃO (Estabelece relações entre imagens).
         MEMÓRIA (Permite o acesso às percepções passadas).
         LINGUAGEM ( Forma de expressão das ideias).
         RACIOCÍNIO ( Atos intelectuais ligados, operações mentais).
         INTUIÇÃO ( Compreensão global e instantânea de algo). 
  
  • CONHECIMENTO

 


        SENSÍVEL   ---        Experiência   ---    Aparência     ---    Certeza
        (empírico)
                                                 ≠                             ≠                         ≠
  
        INTELECTUAL  ---    Razão         ---       Essência     ---    Verdade
          (inteligível)
                                                      

Aula 2. Epistemologia moderna.

  • A Epistemologia, que é o desenvolvimento da antiga Teoria do conhecimento, investiga os limites, as possibilidades, as origens e os tipos de conhecimento, porém, seu maior objeto é o conhecimento especializado e metódico que chamamos de Ciência.

  • MÉTODO:
    • Tem origem grega, significa “seguir um caminho”.
    • Constitui o conjunto de procedimentos necessários para orientar determinada atividade ou pesquisa.
    • Exemplos: método dedutivo, método experimental, método indutivista,…

  • TEORIAS CIENTÍFICAS:
  • Com o método, o cientista procura conhecer Leis universais que expliquem certos fenômenos particulares, o encadeamento dessas leis e de fatos faz surgir as Teorias científicas.
  • Como se elabora uma teoria científica:
  • Primeiramente, o cientista seleciona um FATO, visto como um PROBLEMA a ser resolvido. Com a OBSERVAÇÃO dos fatos criam-se HIPÓTESES, que devem guiar as EXPERIÊNCIAS, essas experiências devem comprovar ou não as hipóteses, com resultados positivos, o cientista extrai LEIS necessárias, que ao serem encadeadas formam as TEORIAS científicas.

  • O que é uma teoria científica?
  • É um sistema ordenado e coerente de proposições ou enunciados baseados em um pequeno nº de princípios, cuja finalidade é descrever, explicar e prever do modo mais completo possível um conjunto de fenômenos, oferecendo suas leis necessárias.
  • Podemos citar como exemplos: a teoria da evolução, a teoria do Big bang ou a teoria da relatividade de Einstein.

  • A ciência do século XVII:
  • O desenvolvimento científico do século XVII foi fundamental para a construção da ciência moderna, pois os pressupostos ali colocados serviram de base para tudo o que foi feito a partir daí.

  • Pressupostos:
    • Matematização da natureza – Explicação de eventos naturais através das relações matemáticas existentes.
    • Adoção do método experimental – Não confiar apenas nas teorias, mas fazer experimentos que as comprovem.
    • Pensamento mecanicista – O Universo é considerado uma grande máquina, aonde todos os seus elementos estão conectados.
    • Novos objetivos -  Aa ciência passa a ter como objetivo ampliar o poder dos homens sobre a Natureza.

  • A partir do século XVII há uma mudança radical de postura intelectual, com a adoção dos pressupostos citados, o homem passa a ter poder sobre a Natureza, fabricando novas verdades.

Aula 3. A oposição entre o Racionalismo e o Empirismo.

  • O RACIONALISMO:
  • Doutrina filosófica inaugurada pelo francês René Descartes (1596-1658),  faz do sujeito do conhecimento o  fundamento de toda a verdade.
  • A Razão é a luz natural inata que permite o acesso à verdade.
  • A verdade é uma característica das ideias e não das coisas.
  • A frase considerada símbolo do Racionalismo é o cogito cartesiano: “Penso, logo existo.”   ( a primeira verdade é a minha existência enquanto um ser pensante).

  • AS IDEIAS INATAS:
  • Descartes defende a existência de “ideias inatas”, que por serem puras (livres dos sentidos) só podem existir porque já nascemos com elas.
  • Exemplos: Infinito, tempo, espaço, Deus, relações matemáticas,.. (intuições intelectuais).

  • O EMPIRISMO:
         Doutrina filosófica que encontra o seu auge nos séculos XVII e XVIII na Inglaterra com Francis Bacon, John Locke e David Hume.
         A Razão, a verdade e as ideias são adquiridas por nós através da experiência sensível, antes da experiência, nossa mente é como uma “folha em branco”.

         A ORIGEM DAS IDEIAS:
         As sensações formam a percepção, a associação das percepções formam as ideias.
         Temos o hábito de fazer associações; para Hume  a razão é o hábito de associar ideias.

  • PROBLEMAS:
         Do Racionalismo: Se as ideias são inatas, porque mudam? (A razão muda e prova que certas ideias são falsas.)

         Do Empirismo: Se as ciências são apenas hábitos, não possuem objetividade (verdade?), o conhecimento empírico é uma ilusão. (Impossibilidade do conhecimento objetivo da realidade).

Aula 4. O Criticismo de Immanuel Kant (Alemanha, 1724 – 1804)

  • Nasce e vive a vida inteira em Konigsberg, professor universitário de Lógica e de metafísica, não se casou nem teve filhos, era um homem extremamente metódico, um cérebro que passou a vida investigando o universo espiritual do homem, à procura de seus fundamentos últimos, necessários e universais.

  • Principais obras: Prolegômenos a toda metafísica futura, Fundamentação da metafísica dos costumes, Crítica da razão pura, Crítica da razão prática, A religião dentro dos limites da razão,…

  • Com sua postura crítica Kant faz uma verdadeira Revolução copernicana em filosofia, invertendo o sentido da pesquisa filosófica, o objetivo da filosofia passa a ser investigar a Razão humana, seus limites e possibilidades, buscando responder a questão: Até onde posso ir com a razão sem a experiência sensível? (a razão pura).

  • Algumas de suas principais ideias:

    • Não conhecemos a realidade fora de nossa mente ( a coisa-em-si), só conhecemos os fenômenos, ou seja as coisas para nós. Pois todo conhecimento começa com a sensibilidade, passando pelo “filtro” da razão humana.
    • Tempo e espaço são as formas puras da sensibilidade, ou seja, são ferramentas mentais que existem sem a interferência dos sentidos. A intuição de tempo e espaço se dá a priori, antes da experiência sensível.
    • Existem várias categorias do pensamento: causalidade, contradição, identidade, qualidade, quantidade, finalidade,…
    • Só é possível fazer ciência com “Juízos sintéticos a priori”, ou seja, juízos que acrescentam algo à ideia inicial antes da experiência sensível.

Aula 5. Iluminismo: Luzes e trevas.

  • "A Ilustração ou Iluminismo é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele é o próprio responsável. A menoridade é a incapacidade de fazer uso do seu próprio entendimento sem a condução de outro. 
  • O homem é o próprio culpado dessa menoridade quando sua causa reside não na falta de entendimento, mas na falta de resolução e coragem para usá-lo sem a direção dos outros.
  • Não preciso pensar, se puder pagar, outros assumirão por mim o trabalho penoso. É muito difícil para um indivíduo isolado libertar-se da sua menoridade que, para ele, se tornou quase uma natureza."
Extraído de: KANT,Imannuel. Resposta à pergunta: “O que é ilustração?”


  • Sapere aude! (Ousai saber!): Tenha a coragem de usar seu próprio entendimento!  Este é o lema do Iluminismo.

  • Kant faz um apelo ao exercício autônomo da razão, à liberdade de pensamento ante o medo, a preguiça e a covardia humana, razões pelas quais uma grande parcela da humanidade permanece dependente de seus guardiões.

  • Para Kant, é muito cômodo ser imaturo, não ser crítico, deixar que outros façam isso por você. Dessa forma, ele afirma o uso da razão e da inteligência, o espírito crítico e a autonomia no uso das suas faculdades mentais como o caminho para a emancipação do homem. 

  • OBS: Ver textos da apostila Pitágoras páginas: 11, 12, 15 e 16.

Aula 6. Kant e a crítica à metafísica.

  • Segundo Kant, temos a necessidade de “despertar do sono dogmático”, mas o que é isso?

  • É tomar como ponto de partida da metafísica a ideia de que existe uma realidade em si que pode ser conhecida pela razão, ou seja, a afirmação de que nossas ideias correspondem exatamente a uma realidade externa, que existe por si mesma.

  • Dogmático é aquele que aceita, sem exame e sem crítica, afirmações sobre as coisas e sobre as ideias. Despertar do sono dogmático é questionar, investigar a estrutura e o poder da razão, buscando seu alcance e seus limites.

  • Questões metafísicas: Existe uma verdade única? Ou múltiplas verdades? Como uma imagem pode suscitar várias interpretações? Quais os critérios para validar um conhecimento como verdadeiro?

  • A metafísica tradicional nos trás mais dúvidas que certezas, desde os antigos gregos e os medievais, passando por Descartes e Hume, a metafísica não conseguiu elucidar as grandes questões da humanidade. Ela é, porém, indispensável a raça humana.

  • A ética de Kant se funda na razão, seu princípio supremo da moralidade é chamado de Imperativo categórico: “Age unicamente segundo a máxima que possa querer que se torne uma lei universal.”, ou seja, para saber se sua ação é correta ou não, basta universalizá-la, o que aconteceria se todo o mundo fizesse igual?   

  • OBS: Ver textos da apostila Pitágoras páginas: 18, 19, 20 e 21.

Aula 7. Liberalismo: a natureza do poder e do governo.

  • O pensamento liberal parte do princípio da igualdade dos homens como seres livres e de igual capacidade, elegendo o Estado como representante do povo na legitimação da igualdade de oportunidades entre os indivíduos que culminaria, consequentemente, na igualdade de todos perante a lei.

  • O Liberalismo é uma doutrina político-econômica que se refere à organização da vida social de acordo com certos valores fundamentais: a liberdade, os direitos individuais, o pluralismo político e o Estado de Direito.

  • Estado de direito é uma situação jurídica, ou um sistema institucional, no qual cada um é submetido ao respeito do direito, do simples indivíduo até a potência pública. Em outras palavras, o estado de direito é aquele no qual todos os cidadãos inclusive os mandatários políticos (na democracia: os eleitos) são submissos às leis promulgadas.

  • Os filósofos iluministas, criadores do Liberalismo, priorizam a investigação racional de todas as esferas da vida humana: social, política, econômica, religiosa e cultural.

  • OBS: Ver textos da apostila Pitágoras páginas: 25, 26 e 27.


Aula 8. O Jusnaturalismo  moderno e o contrato social.

  • O Jusnaturalismo é um movimento que se desenvolve a partir do século XVI, com o objetivo de aproximar a lei civil da razão. Ele defende que o direito é natural, imutável, inviolável e universal. É visto como uma lei imposta pela natureza para tudo que existe.

  • Segundo o Jusnaturalismo, uma lei para ser lei deve ser justa. O movimento entende como justo tudo que existe em termos de ideal e do bem comum. O direito natural é a regulamentação necessária das relações humanas, a que se chega através da razão, sendo, pois, independente da vontade de Deus.

  • O fundamento de todo o Direito é a natureza humana, as regras universais devem ser descobertas por meio do estudo da natureza dos homens, em busca de um sistema unitário, completo e universal de direitos e deveres, comuns a todos.

  • Era uma ferramenta de suma importância que tinha a capacidade de impor limites ao Absolutismo Estatal. Também serviu de paradigma para as revoluções liberais, mas por ser considerado abstrato e metafísico, cedeu espaço para o surgimento do positivismo.

  • O Estado civil se estabelece a partir de um Contrato social, aonde as pessoas abrem mão dos direitos do Estado de natureza por meio de um pacto social que representa a vontade do conjunto dos indivíduos, por meio de uma legislação que busque harmonizar a vida coletiva. Essas leis representam a “vontade geral.”

  • Com isso, o Direito natural (à vida, a liberdade e a propriedade) se transforma em Direito civil ou positivo.


  • OBS: Ver textos da apostila Pitágoras páginas: 29, 30, 31 e 32.

Resumo Filosofia 2º médio ETIP (1º trim)

Aula 1. Sócrates de Atenas (470 – 399 a.C.).

  • Filho de um escultor (Sofronisco) e de uma parteira (Fenarete). As ocupações dos pais tiveram influência na sua atividade filosófica.

  • Viveu durante o “Século de Péricles”, idade de ouro de Atenas. Aonde a democracia era o regime político vigente. Com a democracia direta, a função dos oradores na Ágora era fundamental.

  • A principal função da educação grega era preparar o indivíduo para a vida pública, tornando-o um cidadão capaz de discutir sobre as questões da cidade.

  • Os Sofistas eram professores de eloquência, bem remunerados, que se propunham a ensinar aos jovens o uso correto e hábil da palavra, não se importando se o que se falava era ou não verdadeiro, o objetivo era aprender a convencer os outros com suas ideias.

  • Um dos mais importantes sofistas foi Protágoras de Abdera, cujo lema era: “O homem é a medida de todas as coisas.” Ou seja, são os seres humanos que inventam as verdades, logo ela é totalmente relativa, os valores humanos passam a ser meras convenções sociais.

  • Ciência e missão de Sócrates:

    • Xenofonte, um grande amigo de Sócrates fez uma consulta ao Oráculo de Delfos, perguntando: Qual o homem mais sábio de toda a Grécia? A resposta do Oráculo foi: Sócrates é o mais sábio.
    • Ao saber disso, Sócrates estranhou a resposta: como posso ser sábio se tudo o que sei é que nada sei?
    • Decide então investigar os atenienses para compreender a fala do Oráculo, questiona as pessoas que se julgam sábias e com maestria incomum, derruba argumentos e falsas ideias, demonstrando que os outros também não sabiam de nada, pois eles supõem saber algo que não sabem.
    • Com ironia, Sócrates mostra às pessoas que elas ignoram a verdade, isso gera ódios e rancores contra ele. Os jovens da época entusiasmavam-se com esta prática.
    • Sócrates se considerava encarregado da missão de despertar os homens para o conhecimento de si mesmos, sua pesquisa buscava descobrir a essência das virtudes e dos valores morais, buscava a verdade do conhecimento.

  • O método socrático:

    • Sócrates acreditava que a filosofia se faz através do diálogo, ele utilizava um método bem específico de dirigir suas investigações, constava de dois passos:
    • A Ironia – Com o objetivo de eliminar as falsas opiniões, acabando com a ilusão de sabedoria.
    • A Maiêutica – Parto de ideias, construção de novas ideias pelo diálogo.

  • O julgamento de Sócrates:

    • Com o passar dos anos, a atividade socrática passou a incomodar pessoas importantes de Atenas, em 399 a.C. foi levado a julgamento sob a acusação de corromper a juventude e de não acreditar nos deuses que a cidade acreditava.
    • Durante o julgamento, narrado por Platão no texto:  “a defesa de Sócrates”, o filósofo argumenta ao seu modo habitual, mas não consegue convencer a maioria da Assembleia e é condenado por uma margem pequena de votos.
    • Condenado, é convidado a propor sua pena, ao que ele responde ser merecedor de prêmios e não de castigos, pois tornava os atenienses pessoas melhores.
    • Sócrates foi condenado à morte por envenenamento com cicuta, aguardando a execução, ele se recusa a fugir, dizendo ser contra os seus princípios.

Aulas 2/3. Platão de Atenas (428 – 347 a.C.)

  • Discípulo de Sócrates desde os 20 anos.

  • Crítica à democracia ateniense após o julgamento de Sócrates.

  • Escreveu 34 diálogos e 13 cartas, a maioria dos diálogos tem Sócrates como personagem principal.

  • O conhecimento sensível é fonte de erro devido à natureza imperfeita, instável e corruptível da matéria.

  • Os objetos e as ações humanas são limitados, não chegam a contemplar as ideias plenas e perfeitas.

  • Platão divide a realidade em dois níveis:

    1. O mundo sensível  - material, cópia imperfeita
    1.  mundo inteligível  - Ou mundo das ideias, o reino das formas, o ser.

  • Platão utiliza mitos e alegorias para demonstrar suas teorias.

  1. A alegoria da linha dividida:




         


  1. O mito de Er, ou a teoria da reminiscência:

  • Este mito, relatado no livro X da "República", conta a história de Er, um guerreiro que após morrer em batalha obteve permissão para voltar à vida, contando aos vivos o que se passava no além.
  • Segundo ele, as almas passavam por um processo aonde poderiam escolher a vida que teriam na Terra, após a escolha, esta era gravada na alma, tornando-se assim o destino desta alma, após isso era necessário passar pelas águas do rio Lethe, para esquecer a escolha feita.
  • Platão utiliza este mito para explicar nossa passagem pelo mundo das ideias e como não podemos fugir das consequências de nossas escolhas, devemos pois escolher sempre o bem.
  • Como consequência disso, para Platão, conhecer é lembrar-se das ideias plenas e perfeitas que já contemplamos um dia, quando estivemos no mundo das ideias.

  1. O mito da caverna:
·         Um dos mitos mais conhecidos de Platão é o da caverna, segue abaixo um desenho com os elementos básicos do mito.



·         Uma possível interpretação dos elementos:
o   O cativo -  somos nós, o senso comum.
o   As sombras – a realidade física, aparente.
o   O muro e os fantoches – a manipulação da realidade aparente.
o   O fogo – a fonte artificial da realidade aparente.
o   O mundo exterior – a verdadeira realidade, o mundo das ideias.
o   O sol – é a ideia do bem, a fonte da verdade.
o   O liberto – representa o filósofo, aquele que tem a coragem de olhar para outra direção, buscando a verdade e não se deixando guiar pelas sombras.

·         O mito, ou alegoria da caverna representa o difícil caminho rumo ao conhecimento verdadeiro; libertar-se do mundo sensível e contemplar as ideias do mundo inteligível são as difíceis missões do filósofo, encarregado de ensinar essa tarefa aos homens.

Aula 4. Aristóteles (Macedônia, 384 – 322 a.C.) – Vida e obra.

  • Nasce na Macedônia, poderoso reino ao norte da Grécia.
  • Ingressa na Academia platônica aos 17 anos, foi aluno de Platão por 20 anos, um dos mais brilhantes.
  • Morte de Platão em 347 a.C., Aristóteles sai da Academia por discordar dos rumos que a escola estava tomando.
  • Aos 41 anos torna-se preceptor do jovem Alexandre Magno, filho de Felipe II, coroado rei sete anos depois.
  • Em 335 a.C. funda o Liceu em Atenas, o nome é uma homenagem ao deus Apolo.
  • Produziu escritos de Lógica, Metafísica, Ética, Política e de várias outras áreas (economia, poética, física, história, matemática, biologia, psicologia,...)

 
*O caráter sistemático e rigoroso de suas ideias o tornou a grande autoridade filosófica e científica dos medievais, ele era “o filósofo”, o construtor de uma teoria universal e permanente.

Aula 5. Introdução à Lógica clássica.

  • A expressão “é lógico que…” indica para nós e para a pessoa com quem estamos falando que se trata de uma coisa evidente, óbvia, e portanto inquestionável.

  • A Lógica foi criada na Grécia antiga por Aristóteles (384 – 321 a.C.) como um instrumento para verificar a validade dos raciocínios, foi chamada por ele de Filosofia analítica.

  • As principais características da lógica são:
    • Instrumental = É um instrumento para pensar corretamente.
    • Formal = Ocupa-se com a forma do raciocínio e não com o conteúdo.
    • Normativa = Fornece princípios, leis e normas do pensamento verdadeiro.
    • Doutrina da prova = Permite comprovar a veracidade de um raciocínio.
    • Geral e atemporal = É universal e necessária, portanto exata.

  • A Lógica formal tem por objetivo estudar as proposições, que são frases que expressam um juízo, que é o ato de concordar/discordar, afirmar/negar algo. Por exemplo:
    • Susana é professora. ( S é P, onde S = sujeito e P = predicado).
    • Alexandre não é casado. ( S não é P).

  • O elemento básico da lógica de Aristóteles é o Silogismo (raciocínio), que se constitui de:

    • 1ª premissa -        Todo homem é mortal.
    • 2ª premissa -        Sócrates é homem.
    • Conclusão -          Logo, Sócrates é mortal.        

  • Sendo que a conclusão deve, necessariamente decorrer da combinação das duas premissas, que precisam ser evidentes por si mesmas.

Aula 6. A Lógica Aristotélica: Os princípios e o quadrado dos opostos.

  • Os três princípios lógicos fundamentais:

    • Princípio de identidade = Um ser é sempre idêntico a si mesmo.
                                                ( A é A) ou ( A = A).
    • Princípio da não-contradição = É impossível que um ser  seja e não seja idêntico a si mesmo ao mesmo tempo e na mesma relação. (A é A e A não é A = impossível).

    • Princípio do terceiro excluído = Dadas duas proposições com o mesmo sujeito e o mesmo predicado, sendo uma afirmativa e outra negativa, uma delas é necessariamente Verdadeira e a outra necessariamente Falsa, não havendo uma terceira possibilidade. ( A é A ou A não é A)

  • Exemplos:
    • Todos os gatos são animais.                  
    • As aves são animais.                               
    • Logo, todos os gatos são aves.    
(Incorreto, fere o princípio de identidade)      

                * Nenhum professor é bonzinho.
              * Asdrúbal é professor.
              * Logo, alguns professores são bonzinhos. 
             ( Incorreto, fere o princípio da não-contradição)

  • Os lógicos medievais criaram uma figura conhecida como o quadrado dos opostos, que busca sistematizar as relações entre proposições, ou seja, como se relacionam entre si os quatro tipos básicos de proposições








        

OBS: Nos casos das proposições contraditórias, quando uma é verdadeira a outra é sempre falsa, e vice-versa.     

Aula 7. O silogismo científico e a lógica simbólica.

  • Para que um silogismo possa ser considerado válido ou científico deve obedecer quatro regras, conforme elas as premissas devem ser:

    • Verdadeiras – E não apenas possíveis.
    • Primárias – Indemonstráveis, óbvias.
    • Inteligíveis – São evidentes, entendíveis.
    • Causa – Causa necessárias da conclusão.

Exemplos:
1ª premissa – O todo é um conjunto inteiro.
2ª premissa – O conjunto inteiro é formado por partes.
Conclusão – Logo, o todo é maior do que as partes.

1ª premissa – As retas r e p são paralelas.
2ª premissa – As paralelas nunca se tocam.
Conclusão – Logo, as retas r e p nunca se tocam.


  • A matemática possui símbolos próprios, inconfundíveis, universais; a Lógica também deveria ser uma linguagem perfeita, totalmente purificada das ambiguidades da linguagem cotidiana.

  • Segundo o alemão Leibniz e o inglês Hobbes, “o raciocínio é um cálculo”, ou seja, quando raciocinamos, simplesmente somamos, subtraímos, multiplicamos ou dividimos ideias, cabendo à Lógica estabelecer as regras universais desse cálculo.


  • O matemático alemão Gottlob Frége (1848/1925) contruiu uma linguagem simbólica artificial baseada em símbolos e regras gerais.

  • Símbolos:
    • Ʌ =  e.
    • V  =  ou.
    • →  =  se … então, ou implica em…
    • ↔ =  se e somente se…
    • ≈  =  não.
    • Є, Ɇ  =  pertence, não pertence.

Exemplos:  Todo homem é mortal.    ( A  Є  B)
                   Sócrates é homem.         ( X  Є  A).
        Logo, Sócrates é mortal.  (X)  ( X  Є  A)        ( X  Є  B). (Lê-se: para todo X, X pertence a A implica que X pertence a B).

                   Se Deus existe, o mal não existe.
                   Mas, o mal existe.
                   Logo, Deus não existe.
     
                   ( A ≈ B), (mas B)             (logo, ≈ A).

  • A lua é quadrada e a neve é branca.  (A  Ʌ  B).
  • A lua é quadrada ou a neve é branca.  (A  V  B).
  • Se a lua é quadrada então a neve é branca.  ( A          B).
  • A lua é quadrada somente se a neve é branca.  (A        B).
  • A lua não é quadrada.  (≈ A).

Aula 8. O cálculo proposicional.

  • A lógica moderna transforma uma proposição em uma equação entre um sujeito e um predicado.
  • O cálculo proposicional consiste em estabelecer os procedimentos pelos quais podemos determinar a verdade ou a falsidade de uma proposição, de acordo com sua ligação com outras proposições.